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Vídeo comprova abuso sexual contra criança

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A Polícia Civil e o Ministério Público Estadual têm em mãos um filme que comprova o crime de abuso sexual contra uma criança de três ou quatro anos em Catanduva. No vídeo, achado na CPU de um dos computadores apreendidos durante a Operação Fênix, aparecem dois rapazes segurando à força a criança, enquanto outro homem se masturba no rosto da menina. Essa é a primeira prova cabal da violência sexual infantil divulgada ontem pelo senador Romeu Tuma (PTB-SP), relator da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pedofilia, durante sessão pública na cidade. Os senadores já sabem quem são os suspeitos que aparecem no filme, mas não divulgaram seus nomes. Agora, eles investigam quem é a criança abusada. Tuma também não revelou onde esse computador foi apreendido. O filme também mostra duas outras crianças ao fundo gritando para que os acusados deixem a menina em paz. "É um absurdo", disse o senador.

No momento em que o senador revelou o conteúdo da gravação, as 120 pessoas que acompanhavam a audiência se espantaram com a perversidade dos agressores. O teor da perícia foi discutido depois do depoimento de Geraldo Côrrea, do Instituto Pró-Cidadania. Ele relatou à comissão que uma criança de 5 anos, moradora do Jardim Alpino, lhe disse que fora obrigada a ingerir esperma de um dos pedófilos. Corrêa foi convidado pelo senador Tuma a ajudar na identificação da criança do filme. Quatro mães que acompanhavam a audiência pública da CPI ficaram apreensivas com a informação. "E se for minha filha? Quero ver esse filme e descobrir quem são os desgraçados que fizeram isso", desabafou uma mãe que não quis ser identificada.

Emoção
Encapuzados e com jaquetas da Polícia Militar para não ser identificados, os pais de três vítimas contaram à CPI como os pedófilos agiam. Durante o discurso, a mãe fez dezenas de pessoas chorar. "Eles não levaram bens materiais, mas levaram o espírito, a alegria e a união da nossa família", disse em prantos. O senador Tuma se emocionou com o depoimento e disse estar convencido de que os acusados não merecem perdão da Justiça. "Nem Jesus pode perdoar essas pessoas." A mãe, que relatou ter sido abusada pelo padrasto quando tinha 8 anos e rejeitada pela própria mãe, falou que conhece a dor de perto e espera que a justiça seja feita. Segundo a mãe, a filha de 8 anos foi violentada dentro de sua casa por William Mello de Souza, 19 anos, preso desde o dia 26 de fevereiro, acusado de ajudar o tio José Barra Nova de Mello a abusar das crianças.

"Num dia que estávamos trabalhando, o William entrou na minha casa e abusou da minha filha na minha cama. Quando fiquei sabendo disso, quebrei a cama", afirmou. Ela também disse que os três filhos foram levados para outras duas casas, onde fumaram crack e cheiraram cocaína. Os pais também reclamaram da forma com que foram tratados pelas delegadas Rosana Vanni e Maria Cecília Côrrea Sanches, da DDM, durante as investigações, e da falta de atenção por parte do Conselho Tutelar de Catanduva. "Quando procurei a delegada (Maria Cecília) para denunciar os crimes contra meus filhos, ela me disse que aquilo era normal. Só se for para ela, para mim, não." A CPI aprovou ontem a convocação do presidente do Conselho, Raphael Meneguesso Ferreira, para que ele dê explicações sobre o caso.

Hamilton Pavam Senador magno malta a Rosana Vanni: erro em momento-chave

Delegada alertou defesa sobre busca de CPU
A delegada Rosana Vanni admitiu ontem à CPI da Pedofilia em Catanduva que falhou ao avisar com antecedência o advogado do médico Wagner Rodrigo Brida Gonçalves de que cumpriria no dia 20 de fevereiro um mandado de busca e apreensão na casa dos pais do médico, suspeito de integrar uma rede de pedofilia no município. "Pedi ao advogado para ir até a DDM (Delegacia de Defesa da Mulher) me acompanhar até a diligência. Foi uma falha minha, concordo", disse Rosana. Quando a delegada chegou à casa, no Jardim do Bosque, a CPU (caixa que armazena os dados de um computador) de Gonçalves havia desaparecido - havia apenas um monitor (ainda ligado), o teclado, o mouse e o modem. Somente cinco dias depois a CPU reapareceu, sem dados. "É claro que o advogado avisou o cliente pelo celular, e sumiram com o computador. A senhora errou em um momento-chave das investigações, o que pode prejudicar irremediavelmente a apuração desses crimes", disse o senador magno malta (PR-ES), presidente da CPI.

No mesmo dia, segundo a promotora Karla Sandoval, a delegada encontrou saquinhos de "juju" (suco congelado) na geladeira contendo bebida alcoólica. Havia etiquetas descrevendo cada tipo de bebida. Rosana não apreendeu os produtos, limitando-se a fotografar o congelador. A delegada também foi criticada por não permitir a presença dos pais no reconhecimento dos suspeitos no dia 26, na Delegacia de Investigações Gerais (DIG). Rosana alegou que não havia espaço físico no local. "As crianças ficaram acuadas sem a proteção dos pais. Para se ter uma ideia da crueldade dessas pessoas, eles se masturbavam em um copo e davam o esperma para as crianças beberem. "Eles diziam que era ‘chá de p....", disse. Outra falha apontada foi a omissão, no inquérito, da informação de que os suspeitos teriam mudado o próprio visual para dificultar o reconhecimento. Segundo o senador magno malta, o Ministério Público terá de refazer o reconhecimento dos suspeitos.

A delegada não quis comentar as críticas. Mas ela garantiu ter comunicado a juíza Sueli Juarez Alonso quando libertou Eduardo Augusto Arquino um dia após a prisão dele. "Eu comuniquei a juíza por telefone. Ela me disse ‘está bem’", afirmou Rosana. A delegada-titular da DDM, Maria Cecília de Castro Sanches, responsável pelo primeiro inquérito, também foi criticada pelos senadores. Ela indiciou apenas o borracheiro José Barra Nova de Melo, ignorando a informação, dita por uma das 12 crianças ouvidas em depoimento, de que havia pelo menos mais um abusador. A delegada também teria deixado de apurar a identidade de dois suspeitos que aparecem em uma fotografia apreendida pela polícia. Eles se apresentavam às crianças com os codinomes César e Roberto: um deles é André Luiz Centurion, preso pelo Ministério Público na Operação Fênix.

As mães ouvidas pela manhã na CPI acusaram a delegada de ter sumido com uma suposta caixa de fotos apreendida na casa do borracheiro, o que foi negado por Maria Cecília. "Nunca quis deixar ninguém impune", afirmou. "Será que se essas vítimas fossem de classe média-alta teriam o mesmo tratamento?", questionou o senador José Nery (Psol-PA), relator da CPI. A delegada disse que relatou o inquérito sem concluir as diligências porque o investigado Barra Nova estava preso. "Não queria correr o risco de atrasar e a Justiça libertá-lo." Ela garantiu ter deixado uma "ordem de serviço" com as diligências a serem feitas para o Ministério Público.

Mais tensão
Ontem, no início da noite, a menina L.F., 12 anos, uma das supostas vítimas da rede de pedofilia em Catanduva, foi encaminhada ao Hospital Padre Albino com falta de ar, dor de cabeça e crise de ansiedade. Ela foi encaminhada para ser atendida por um psiquiatra. Anteontem, L.F. também havia sentido mal-estar.

Depoimento causa tumulto na sessão
A CPI ouviu também Solange Cristina Barrison, namorada do empresário José Emanuel Volpon Diogo. Em um depoimento contraditório, Solange disse que Diogo soube na terça-feira da última semana "de um zum-zum" na cidade de que ele seria preso em uma operação do Ministério Público. Por isso ele teria fugido. Depois de foragido, o empresário teria ligado "de um orelhão de São Paulo" para Solange - logo em seguida ela afirmou "achar que era um orelhão". A mulher disse não acreditar no envolvimento do namorado no esquema. "Ele trata muito bem meu filho de 11 anos. Dá presente, leva para a escola. Não faria mal a uma criança", disse. Houve tumulto quando Solange saía do plenário da Câmara. Um grupo de cinco mães cujos filhos teriam sido abusados tentou agredir a mulher, que precisou ser escoltada pela Polícia Militar. "Ela sempre acobertou o rapaz, sabia de tudo", disse a dona de casa Joice dos Santos. Uma das mães entrou em crise de choro, e disse que foi ameaçada por Solange. Ela também deixou a Câmara sob escolta policial. Também depôs ontem uma representante da Pastoral da Criança.

Promotor será alvo de Corregedoria
A CPI da Pedofilia vai determinar à Corregedoria do Ministério Público que investigue a conduta do promotor da Infância e Juventude de Catanduva, Antônio Bandeira Netto.

Ele foi acusado de omissão pelo gestor do Instituto Pró-Cidadania, Geraldo Corrêa, e pelo diretor da escola municipal Nélson Macedo de Musa, Edmilson Sidney Marques, durante a audiência. A CPI quer saber o motivo de o promotor não ter ouvido as denúncias das testemunhas quando foi procurado no ano passado. Marques disse que tentou agendar em janeiro audiência com Bandeira Netto, mas só foi atendido nove dias depois. Já Corrêa disse que, ao saber do pouco caso do promotor com o diretor, não o procurou quando foi informado das denúncias. "No momento de uma denúncia grave ele (o promotor) não o recebeu, por isso procurei direto a juíza Sueli Juarez Alonso."

Foi a partir da denúncia de Corrêa que a juíza determinou a abertura de novo inquérito, onde constam como suspeitos três pessoas de classe média alta da cidade: um médico, um empresário e um comerciante. O presidente da CPI, senador magno malta (PR-ES) vai encaminhar cópia dos depoimentos à Corregedoria. "Quero que a Corregedoria dê claridade ao assunto". Corrêa afirmou que embasa sua suspeita de omissão no fato de o promotor ser amigo do médico Wagner Rodrigo Brida Gonçalves, um dos suspeitos do abuso sexual. Côrrea disse que tem sido ameaçado e pediu proteção à CPI. O presidente da comissão encaminhou ofício à Polícia Militar de Catanduva para que providencie a segurança.

TJ suspende dois mandados de prisão
O Tribunal de Justiça concedeu habeas corpus para suspender o efeito do decreto de prisão temporária do médico Wagner Rodrigo Brida Gonçalves, 31 anos, e do empresário José Emanuel Volpon Diogo, 47. Os dois tiveram prisão temporária de 30 dias decretada pela juíza Sueli Juarez Alonso, da Vara da Infância e Juventude de Catanduva. Os dois são suspeitos de participar dos abusos sexuais contra criança. O desembargador Antonio Luiz Pires Neto, da 2ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça, considerou em sua decisão em caráter liminar que a prisão é desnecessária porque tanto o empresário quanto o médico não dificultaram os trabalhos da polícia durante as investigações. "Eles foram ouvidos no curso do inquérito e colocados à disposição daquela autoridade para outras possíveis diligências", diz em seu parecer.

Na manhã de ontem, quando o médico e empresário ainda eram considerados foragidos, a CPI da Pedofilia determinou à Polícia Federal que fizesse a condução coercitiva deles à Câmara de Vereadores de Catanduva, onde acontece a sessão pública, às 14h30 de hoje. Com a revogação da prisão temporária, o advogado do médico, José Luis Oliveira Lima, disse que seu cliente vai comparecer na audiência, mas aguarda ser intimado oficialmente. "Ele precisa ser convocado, porque meu cliente não tem receio de esclarecer as coisas. O próprio Tribunal de Justiça reconheceu que a prisão seria ilegal", afirmou. O advogado Adriano Salles Vani, que defende o empresário, não foi localizado ontem à tarde pela reportagem para comentar a decisão da Justiça.
 
Fonte:  Diarioweb